venerdì 30 Gennaio 2026

O desafio da normalidade

Libertar-se do espírito de gravidade e das suas distorções mentais

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O mundo está a mudar e fá-lo como numa comédia de boulevard, como num filme de Mel Brooks.

Compreendo perfeitamente que estejam desorientados.

Compreendo também os muitos que tentam penosamente avançar na neblina, ofuscados pela luz de uma alucinação exótica de qualquer tipo.

Não compreendo como essa alucinação, seja ela qual for, os faz engolir o sapo amargo da exaltação de tiranos orientais, mafiosos, gangsters da finança, torturadores, reprimidos sexuais que impõem vestuários e costumes, enforcadores em série, carcereiros ignóbeis, violadores ou enganadores de povos.

Isto vale para todos. Não se pode exaltar Trump e tudo o que se segue apenas por ter capturado Maduro, nem se pode exaltar Maduro com todas as suas imundícies ignóbeis porque Trump o capturou.

A alucinação transformou-se numa claque binária e congelou as mentes.

Condena-se povos inteiros em luta por serem «manipulados» ou porque não gostamos dos seus representantes políticos.

Quando os cérebros ainda eram normais, isso nunca acontecia. Ninguém hesitava em defender Praga porque não gostava de Dubcek, nem em reclamar Trieste porque o seu regresso à pátria seria «geopoliticamente» negativo.

As posições dualísticas são prova de mal-estar existencial e de confusão.

Outra coisa é nos posicionarmos contra o imperialismo, seja ele do Leste ou do Oeste, outra coisa é tornarmo-nos, por reacção de claque, não europeus, centrados, centrais, mas «anti-ocidentalistas», como se o Ocidente fosse o Mal (termo paleolítico do Antigo Testamento) e o resto fosse digno de louvor.

Como se quem enfrenta a morte contra os carros que vêm do Leste ou pelas mãos de algozes «religiosos» que deliram em nome de um deus fosse culpado de alguma coisa.

Alguma vez se apoiou a Revolução iraniana? Talvez no início, antes de se tornar um regime.

Tal como, aliás, em 1917, muitos dos futuros fascistas aplaudiram Lenine. Na altura, antes de ele transformar a Rússia num campo de extermínio.

Hoje em dia, é impossível para qualquer pessoa de boa-fé apoiar um regime semelhante.

Toda a história política do Irão desde 1980 o atesta, e não apenas a interna.

Não basta ser (ou fingir ser) hostil a Israel ou aos EUA para ser melhor do que eles.

E muito menos basta para apoiar essa ralé, talvez enquanto se fala de «remigração» e se denuncia a Sharia, ou, como feministas, se apoia o Irão. No entanto, ambas as coisas acontecem.

Sinais dos tempos, índices de um verdadeiro atordoamento e de uma incapacidade de se situar, de ser em si mesmo.

Tudo isso é apenas o fruto de um profundo mal-estar, de uma «crise de correspondência» com a realidade.

É colectiva, não apenas terminal e residual, estende-se a toda a comédia dos políticos.

Para além das fórmulas, das proclamações e das palhaçadas, as potências, reais ou presumidas, estão cada vez mais interligadas e interdependentes. As velhas formas de poder estão a desaparecer, as classes dirigentes progressistas estão em crise existencial e as populistas – com poucas excepções felizes – não estão melhor.

As mesmas agitações teatrais e até sangrentas de Trump ou Putin respondem à tentativa desesperada de restaurar uma ordem antiga. Claro, não é a mesma coisa porque a aposta de Trump, que a longo prazo acabará num compromisso factual, é produtiva a curto prazo para os Estados Unidos, enquanto a de Putin é mais desastrosa para a Rússia do que a acção de qualquer outro dos seus antecessores. Mas nem isso é o que importa.

O que importa é aceitar o desafio da «normalidade», que agora é uma palavra forte, para regenerar a nossa sociedade, seja combatendo o woke e afins, seja recuperando a vontade de poder, mas na nossa concepção milenar de Polis e Liberdade.

Não é nada difícil: são os reflexos condicionados ditados pelo desespero dos desajustados que fazem crer que é assim.

É preciso leveza, é preciso libertar-se do Espírito da Gravidade que se manifesta também, e em grande medida, no dogmatismo «irredutível» do fanatismo sem sentido.

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