domenica 16 Giugno 2024

Outro olhar

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Tentemos ver as coisas de outra forma.

A repressão libertária. Em Itália, as penas aplicadas aos anarquistas Alfredo Cospito e Anna Beniamino (23 e 17 anos e 9 meses sem derramamento de sangue) são enormes e vêm juntar-se ao absurdo da medida restritiva dos chefes mafiosos do 41bis (depois criticamos a Hungria…).

Mais absurdas ainda são as penas pela “devastação” não consumada da sede romana vazia da CGIL (12 anos!). A isto junta-se a cruzada para mandar para a prisão aqueles que honram os seus caídos com a saudação romana.

Em França, as associações políticas são dissolvidas e as reuniões públicas proibidas. Não só as da extrema-direita, mas também uma reunião de Mélénchon, o líder da esquerda.

Em Espanha, existe a Ley de Memoria (lei contra a memória que proíbe qualquer referência ao campo nacional e ao regime de Franco).

Tudo isto faz parte de uma reprogramação constante das liberdades individuais (luta contra o tabaco, o álcool, a lógica do “Green pass”, ou passaporte sanitário).

Alguns lêem estas coisas como o fim da democracia, outros como a fraqueza das classes dominantes.

Ambos têm razão, mas deturpam as coisas.

Os primeiros partem de uma representação pomposa da democracia que confundem com a liberdade de expressão. No fundo, a democracia é uma coisa diferente e, se não é autoritária, está a sabotar os povos que enfraquece com o discurso e a burocracia.

Os segundos têm a ilusão de que a crise profunda dos administradores políticos corresponde à crise daquilo a que chamam “sistema”, quando, pelo contrário, é o mal-estar daqueles que são confrontados com transformações profundas e não dispõem dos instrumentos culturais e espirituais para as enfrentar. Quase todos eles sucumbirão à transformação do sistema; eles, não o sistema.

O sistema está a transformar-se porque tem de fazer face às revoluções tecnológicas, energéticas e demográficas e só se pode adaptar ao rearmamento e a novas formas de autocracia.

A pós-democracia autoritária, portanto.

Esta situação pode ser vivida com angústia, com queixa e com a certeza de que seremos esmagados e pode, por isso, levar-nos a lamentarmo-nos ou a produzir histeria. Ou podemos ter fé em nós próprios e no ideal e trabalhar em duas direcções aparentemente diferentes, mas simultâneas.

Autonomia e autocentrismo para depender o menos possível dos outros e para reafirmar, actualizando-a, a identidade.

Intervenção por contaminação sobre as transformações do sistema, com a declinação e afirmação dos ideais heróicos e comunitários e da hierarquia natural e intercambiável, para que seja a desigualdade de virtudes e não de clientelas, para que o armamento dos nossos povos regenere valores guerreiros e para que a pós-democracia se religue ao Alto em vez de à tirania dos miseráveis.

Não é fácil que isso aconteça, mas é possível, até porque se deve a nós.

Ou então podemos sempre queixar-nos e lamentar-nos, continuando a ser prisioneiros da comédia política ultrapassada e do lamento de uma democracia que só quem não a conheceu realmente pode reivindicar com nostalgia.

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